Debate histórico entre os Educadores Paulo Freire e Seymour Papert.
Paulo Freire enfatiza o diálogo e a proximidade interpessoal entre educador e educando. Papert cunhou o termo " construcionismo" como sendo a abordagem do construtivismo que permite ao educando construir o seu próprio conhecimento por intermédio de alguma ferramenta, como o computador, por exemplo.
Papert, matemático que estudou e pesquisou com Piaget, concorda com a maior parte do pensamento de Freire para a Educação, principalmente com referência aos objetivos e fins da educação. Papert relata os três estágios de desenvolvimento cognitivo da criança. O primeiro, quando a criança nasce começa o processo de aprendizagem por meio do ato de tocar, pegar os objetos etc. Nesta fase a criança é quem conduz o processo, sendo que a influência dos pais é pequena. Na segunda fase, a criança entra em contato com uma dimensão mais ampla de mundo começando a fazer perguntas sobre o que viu ou imaginou. Para Papert, neste momento, a criança entra numa fase perigosa que deixa o aprendizado experimental (desnecessariamente) para um aprendizado baseado na transmissão de informações, sendo que esse estágio alcança o seu ápice na escola. Agora a criança passa pelo "trauma de parar de aprender para ser ensinado", é o que Freire chama de educação bancária. Papert diz que no terceiro estágio, a pessoa volta ao primeiro se sobreviver ao segundo estágio passando a se autodirigir no processo educacional. Papert afirma que com o surgimento da sociedade da informação, mídias de comunicação, internet, computadores, etc a criança tem novos instrumentos para contornar a opressão da educação bancária e tecnicista do segundo estágio. Relata sua obsevação de seu neto, em que evidenciou estes fatos no aprendizado por meio de fitas de vídeo de um tema de seu próprio interesse tornando-se mais conhecedor do assunto do que o próprio Papert. Portanto defende que o computador auxilia no processo da construção do conhecimento como uma ferramenta importante neste processo pela possibilidade de interatividade com o conhecimento socializado. É importante ressaltar que Papert não entende que as novas tecnologias substituirão a escola.
Paulo Freire relembra que a minoria da sociedade brasileira tem acesso ao computador e a internet. Ao questionar, qual a repercurssão da tecnologia junto a maioria da população de crianças brasileira. Afirma que daqui a 20 anos essas crianças estarão mais distantes aindas desta tecnologia. Freire concorda com os tres momentos dos estágios descritos por Papert. Entende que são elucidativos, mas a crítica que Papert faz ao segundo momento da escola, Freire rejeita sua constatação. Entende que a escola não vai desaparecer mas que se faz necessário modificar a escola radicalmente "de um corpo que não mais corresponde a verdade tecnologia do mundo, um novo ser tão atual quanto a tecnologia". Para Freire deve-se por a escola a altura do seu tempo refazendo-a. Deve-se corrigir os equivocos do segundo estágio, não didáticos e metodológicos mas ideológicos e políticos. Os discurso sob a perspectiva da nova ideologa liberal trabalham juntos para preservar o segundo estágio. Freire afirma que o problema da escola não é ontológico (não importa o nome que se dê a escola), mas político.
Papert, afirma que não somos nós que mudaremos a escola. Fundamenta seu argumento com base nas iniciativas históricas. Afirma que as novas gerações vão se revoltar com a escola por conta de ter mais informações e possibilidades de pesquisa na sociedade em rede e na construção colaborativa do conhecimento.
Freire, reconhece uma similariade com Papert até certo ponto do seu pensamento. Entende que ambos querem a mesma coisa. Para Freire, a anáise de Papert é mais metafísica e a sua mais histórico política. Entende que o segundo estágio se faz necessário por causa da organização correta e rigorosa da ciência. Freire enfatiza que o segundo estágio precisa ser transformado. Papert reafirma que o acesso ao computador pelas crianças faz com que as crianças superem as dificuldades do segundo estágio, contribuindo para um aprendizado mais efetivo e compreensivo confrme caso evidenciado das crianças estudando geometria no projeto Terceiro Milenio. Por fim, Papert concorda que uma pessoa pode atuar como facilitador ao organizar o aprendizado para uma criança.
Concordo com Freire sobre a importancia da escola e de um facilitador, seja presencial ou a distância. Todavia, Papert tem razão ao afirmar que as novas tecnologias podem facilitar a superação do segundo estágio e das políticas opressivas da educação bancária.
Quanto a preocupação de Freire a respeito dos analfabetos digitais e da democratização das novas tecnologias de comunicação, a Fração Amostral do Censo de 2010 do IBGE revelará a porcentagem de pessoas que tem computador e computador com acesso a internet de 11% dos 5.565 municípios da nossa nação. (http://www.censo2010.ibge.gov.br/download/sintese/sintese_censo2010_portugues.pdf) .
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